Procurei alguns textos para o momento...tentei escrever, mas me apeguei a este, ele define muito bem! Grande teólogo...
Wer Bin Ich? Quem Sou Eu?
Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que saí da confinação da minha cela
De modo calmo, alegre, firme,
Como um cavalheiro da sua mansão.
Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que falava com meus guardas
De modo livre, amistoso e claro
Como se fossem meus para comandar.
Quem sou eu? Dizem-me também
Que suportei os dias de infortúnio
De modo calmo, sorridente e alegre
Como quem está acostumado a vencer.
Sou, então, realmente tudo aquilo que os outros me dizem?
Ou sou apenas aquilo que sei acerca de mim mesmo?
Inquieto e saudoso e doente, como ave na gaiola,
Lutando pelo fôlego, como se houvesse mãos apertando minha garganta,
Ansiando por cores, por flores, pelas vozes das aves,
Sedento por palavras de bondade, de boa vizinhança
Conturbado na expectativa de grandes eventos,
Tremendo, impotente, por amigos a uma distância infinita,
Cansado e vazio ao orar, ao pensar, ao agir,
Desmaiando, e pronto para dizer adeus a tudo isto?
Quem sou eu? Este, ou o outro?
Sou uma pessoa hoje, e outra amanhã?
Sou as duas ao mesmo tempo? Um hipócrita diante dos outros,
E diante de mim, um fraco, desprezivelmente angustiado?
Ou há alguma coisa ainda em mim como exército derrotado,
Fugindo em debanda da vitória já alcançada?
Quem sou eu? Estas minhas perguntas zombam de mim na solidão.
Seja quem for eu, Tu sabes, ó Deus, que sou Teu!
Dietrich Bonhoeffer
quinta-feira, agosto 30, 2012
quarta-feira, agosto 15, 2012
Acho que não confio em Deus...
Acho que não confio em Deus...
Esse
texto é uma confissão. Dura, contundente e inquietante. Estou numa crise de fé!
Não tenho medo que você ache que fracassei, ou estou afundando...É fato que, ou
essa crise me leva ao deísmo, ou a um amadurecimento desordenado e imensurável
com o Aba. Antes que me pergunte, ainda creio em Deus, fique tranquilo. É que
quanto mais me aprofundo em conhecer a Deus, mais crises eu tenho.
Mas
ultimamente minha crise não se relaciona a Deus, ou põe em dúvidas atributos ou
ações divinas, mas tem a ver comigo. Com 10 anos de fé cristã descobri uma
coisa que me envergonhou profundamente, mas o primeiro passo pra corrigir erros
é confessando-os a si.
Acho que nunca confiei em Deus de verdade. Pesado né? Eu sei, mas resolvi confessar.
Confiar
em Deus implica tantas coisas a nós mortais desesperados, e não temos tempo para esperar, aprender ou
abandonar. Brennan Manning vai dizer
que: “Muitas vezes partimos da premissa de que o ato de confiar irá desfazer a
confusão, iluminar a escuridão, acabar com a incerteza e remir o tempo.”
Pensamos assim, agimos assim, montamos nossa vida e nossa fé nisso, mas nada
disso é verdade.
Sou
extremamente ansioso, organizado, tenho tudo planejado e definido pra minha vida
pra pelo menos uns 30 anos, além do perfeccionismo xiita. Portanto tudo precisa
sair como quero, e do jeito que penso e planejo; surpresas são perigosas e nem
sempre tão bem-vindas, acréscimos só com minha autorização. Você percebe? Não
tem espaço pra Deus...
“O
amanhã pertence a Deus”, isso já está ultrapassado. O amanhã pertence a mim.
Não estou disposto a esperar, corro atrás. Confio em mim, e naquilo que eu
posso fazer . Invejo Abraão em confiar
que Deus não mataria seu filho, admiro Daniel em confiar que Deus não o mataria
na dentada de um leão.
Quando
questiono meu futuro, a possibilidade da realização dos meus sonhos, ou um
amanhã um pouco melhor, estou diretamente dizendo: NÃO CONFIO EM DEUS! Minha
humanidade luta contra essa confiança, meu zelo, cuidado, e melhores intenções
insistem em sabota-la. Confio mesmo é na força do meu braço, naquilo que eu
posso fazer. O hoje eu controlo, e me desdobro em realiza-lo da maneira que
planejei. O amanhã que é o problema, não tenho como controlá-lo, e aí vem essa
coisa de confiança em Deus. As vezes até acho que tenho, que confio, coisa e
tal, mas logo me pego murmurando, medroso e reclamando de como tudo está ou
como tudo parece que vai terminar. Tenho meus apoios, minhas suficiências...
Tô
em busca de uma confiança cega, que nunca experimentei, e que sei que exige um
grau de coragem que beira o heroísmo. Confiar num Deus invisível, mas que mora
dentro de mim. Confiar numa graça louca que vai contra tudo que sou, que penso
e que sinto, mas que me ensina a ser humano.Me parece que esse tipo de
confiança é adquirida apenas aos poucos e quase sempre através de uma série de
crises e provações.
Ter
convicção de que Deus é digno de crédito só é possível quando decido conhecê-lo
além do normal, me aprofundando na intimidade desse amor. Aliás, acho que confio pouco, ou quase nada, porque o conheço pouco, ou quase nada.
O
primeiro passo eu já dei: confessei. O segundo passo também: eu quero. Pois, afinal,
qual seria a utilidade da vida de oração, de estudo da Bíblia, da Teologia, ou
da espiritualidade, se não confio naquilo que aprendo, ou em quem ensina? A
culpa é minha, por não por em prática tudo aquilo que aprendi com Davi, Abrãao,
José, Jó e é claro, com Jesus.
Confio
na provisão? No chamado? Na soberania? Confio mesmo que a alegria chegará pela
manhã? Confio mesmo que Deus pode curar, restaurar ou ressuscitar? Como
responder a essas perguntas se faço planos, lamento a falta, murmuro na noite
escura, reclamo pela dor de cabeça, desisto fácil antes de pensar em
restauração, ou faço logo o enterro antes de clamar por ressurreição.
Brennan
Manning diz que: “A realidade da confiança nua e crua no Aba, é a vida de um
peregrino que abandona aquilo que tem raízes, que é óbvio e seguro,e caminha para o desconhecido sem nenhuma
explicação racional que justifique a decisão ou dê alguma garantia para o
futuro. Por quê? Porque Deus ordenou aquele movimento e oferece sua presença e
sua promessa.”
Que
Deus perdoe minha fraqueza, franqueza e humanidade. E por estar tanto tempo
achando que confiava nEle.
Espero
poder um dia dizer como Jó: “Embora Ele me mate, ainda assim esperarei nEle.” (
Jó 13:15 NVI)
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