quarta-feira, dezembro 12, 2012

Pule!

  Um dia me disseram que eu não poderia mais errar com as coisas do coração. Isso me aprisionou ao passado, e me fez acreditar num futuro apenas onde as certezas fossem absolutas e a recíproca fosse legalmente verdadeira, fora isso, deveria ser descartado. Que tolice!
  Hoje me libertei desse clichê barato! Não importam as decepções ou erros cometidos no passado, o nascer de um novo dia sinaliza que tenho uma nova chance todos os dias, e que preciso abrir a janela para ver o sol novamente, abrir a porta e deixar que a luz do sol invada a casa.
  Não, não precisa-se ter certezas, ou seguranças... coisas do coração gostam de liberdade, o amor não aprisiona, ele concede liberdades.
  E não quero perder tempo com as impossibilidades, medos e os "se" que vão vir... quero amar! Estar sujeito as mesmas quedas, as mesmas dores, aos mesmos lamentos. Mas, e daí? Só é feliz quem tenta, e tal felicidade a gente tem que conquistar.
  Sim, tá na hora de sair de casa, olhar o verde, as flores,ver Deus na beleza da natureza, do céu, das estrelas, das pessoas, parar de levar tudo na ponta do pé, e ter coragem de pisar, sem receios de se machucar. Faz bem plantar um jardim, e aí quando menos se espera as borboletas já se movimentam na barriga...
  "Será que temos tempo pra perder? A vida é tão rara..."
  A gente se preocupa muito... "Eu quero é crer no amor numa boa, que isso valha pra qualquer pessoa, que realizar a força que tem uma paixão."
  Quero que meu sorriso me denuncie, meus olhos brilhem,quero que "até quem me vê, lendo jornal, na fila do pão, saiba que te encontrei", aí corro para pegar  minha asa delta... chega de medos bobos...é hora de pular!
 

segunda-feira, outubro 01, 2012

ReApaixonar-se

  Enquanto você enxerga impossibilidades, eu consigo enxergar felicidade.
  Tudo bem, eu sei, não foi sempre assim. Eu sei que um dia já te confessei não acreditar mais nisso. Mas ainda bem que não estabelecemos decretos com nossas falas e nem somos donos de verdades absolutas.
  Foi assim como ver o mar, [parece] que foi a primeira vez que estava vendo o mar. Quando dei por mim nem tentei fugir, do visgo que me prendeu dentro do teu olhar. Quando eu mergulhei no azul do mar, sabia que era amor, e vinha pra ficar.
  O cenário estava mudo, como um “museu de grandes novidades”, um pouco desbotado e monótono. Mas com um doce canto e uma linda dança, tudo foi se dissipando, e um novo cenário se reorganizando, com mais cor, mais movimento, mais elasticidade, mais verdade. Um toque imprevisível de uma menina, a profundidade de uma mulher.
  Aquela palavra esquecida no cenário da vida mudou... com um bailar encantandor você entrou e um prefixo colocou, mostrando que é possível ReApaixonar-se.

segunda-feira, setembro 24, 2012

O HOMEM POR TRÁS DO MITO




   É impressionante como a história tem praticidade em fabricar ídolos e mitos. Ao estudar ao longo desses 8 anos de academia me deparei com livros e mais livros que engrandeciam homens e mulheres, como se eles fossem deuses. O que falar de Tiradentes, Zumbi e Princesa Isabel? Pois bem, na história da Igreja não é diferente. Cometemos o triste erro de reproduzir mitos e construir heróis para as próximas gerações, omitindo, ou até mesmo apagando sua humanidade.

  A Bíblia, livro-referência para nós cristãos, deveria ser usada como modelo para biografias e histórias de homens, denominações e legados. Pois quando retrata tais coisas, exalta e engrandece, mas não deixa de expôr as falhas e os erros humanos. O que falar de Abraão? O pai da fé, mas que não poupou esforços em mentir sobre sua esposa, e apressar a promessa de Deus, com Ismael. E Moisés? O grande legislador e profeta, mas também conhecido no Egito como assassino palaciano. E o grande Rei Davi? Vencedor de gigantes, grande salmista, o homem segundo o coração de Deus, mas também adúltero e homicida. Poderia falar de Jacó, Jonas, Gideão, Sansão e até Paulo que falava como “fora de mim”, e que não poupava esforços na hora de brigar, seja pela tradição, como foi com Pedro, ou por orgulho, como foi com Barnabé.
 
Quando olho pra história da Igreja e me deparo com a vida dos reformadores, tenho um certo frisson, pois os livros teimam em omitir a vida desses grandes homens. É indispensável falar aqui da suprema importância de Lutero e Calvino para a Igreja Protestante, são eles os pais desse movimento. Mas não posso falar de Lutero sem falar do seu envolvimento com a nobreza alemã, e sua liderança no genocídio camponês. E Calvino? O reformador da predestinação tão conivente a burguesia e aos seus interesses econômicos, e que não obstante foi responsável pela execução de dezenas de pessoas que se opunham as suas rígidas doutrinas.

  Não quero com isso dizer que temos que exaltar erros, mas eles precisam ser contados. A importância e o legado de homens e mulheres não são apagados por isso. Apenas quero pontuar a humanidade deles também.

  Hoje acabei de ler o livro: “NEOPENTECOSTALISMO – A história não contada” do Bispo Walter McAlister, que é uma breve biografia em defesa do pai, que é acusado de ser precurssor desse movimento, e me deparei com um livro heroico, tendencioso e um tanto omisso. Onde o fundador da Igreja Nova Vida é tido como um mito. Não se fala dos seus erros, não se aponta seu autoritarismo e frieza, mas se fala dos seus atos heroicos.
  
  Não consigo ler biografias heroicas, ou livros em que o autor prefere omitir seu pecado e erros, com medo de futuras gerações tomarem conhecimento(ouvi isso de um pastor essas dias). Temos que aprender com a Bíblia e pôr a cara na janela, nos igualarmos, mostrarmos pras pessoas que não somos super-heróis, e que o pecado servirá para exaltar a graça que superabundará em nossas vidas.

  Me lembro aqui de 3 homens que vieram a público reconhecer o erro, mesmo que isso lhe custasse o prestígio por toda a vida. O primeiro é o grande evangelista Jimmy Swaggart, que veio a público, em lágrimas pedir perdão. Em segundo, o grande líder que admiro, o Rev. Caio Fábio, que após um erro, veio, também, a público pedir perdão, explicar-se e romper com seu passado. Por fim, o irmão Davi Silva que após anos de mentira, confessou seu pecado, arrependeu-se e veio a público pedir perdão por um erro que marcou pessoas do mundo inteiro. Portanto, se a pessoa é referência, líder, clero, e comete erros, porque esconder ou omitir? Ele deve sim explicações aos seus. E não medo ou receio de falar dos erros, a não ser que estes ainda estejam sendo praticados.
  
  É impossível afirmar um ministério sem erros. A questão é que nós hierarquizamos erros e pecados, e aplicamos as disciplinas, mas em todos os ministérios existem erros, simplesmente porque existem pessoas. A diferença é expor os erros, sem a coleira organizacional ou doutrinária e exaltar a Deus que ergue o pecador e o torna mais alvo que a neve.
  
  Sim, é importante mostrar o homem por trás do mito, porque assim veremos Deus, que a despeito dos erros e limitações humanas usa poderosamente homicidas, mentirosos, medrosos e adúlteros, levando-os a se renderam a poderosa Mão do Soberano. O nome disso é Graça. Mas fica uma dica: Se não reconhece erros, falhas e limitações, como enxergar a Graça de Deus? Onde enxergar a Graça na auto-suficiência humana? Portanto não basta apenas cair do cavalo, é preciso ficar cego por longos dias e depois perceber o quanto importa padecer por Cristo.
  
  Existe um homem por trás de todo mito, e um Deus Soberano que faz o homem se tornar grande. 

  Pelos Santos de Deus e pelo Cordeiro.

sábado, setembro 15, 2012

A 3ª pergunta mais importante que você tem que responder na vida

“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça,
e todas as outras coisas lhes serão acrescentadas” - Mateus 6:33

Todo ser humano, num determinado momento da vida, terá que responder a 3 perguntas-chaves, que irão definir como será a continuidade, o sucesso e os frutos da caminhada.

1ª: Que Deus você irá servir?;

2ª: Qual mulher (homem) você irá casar?

3ª: Qual será a sua profissão? A sua carreira profissional, a maneira como você vai devolver pra sociedade, aquilo que Deus lhe der, em termos de inteligência, conhecimento, competência, capacitação, preparo, experiência de vida.

Sei o quão é difícil responder essa pergunta, principalmente porque ela chega de forma bem precoce. Um misto de emoções e sentimentos perpassam o nosso coração. E junto com esta, outras perguntas são feitas: Devo escolher o que eu gosto? O que o mercado mais precisa? O que paga melhor? O que meu pai quer? E diante disso, ficamos aflitos e angustiados. Porque sabemos que esta resposta definirá o profissional que seremos amanhã.

Mas em meio a tantas dúvidas e questionamentos, o que deve definir, e nortear minha resposta? Alguns poderiam lhe dizer: “Procure o que paga melhor! Olhe para o mercado!”, ou então diria: “Medicina, Direito, Engenharia, tem que pensar em dinheiro” – DINHEIRO, DINHEIRO, sempre ele! Mas sou cristão, e meu Deus me leva a responder diferente, não porque sou formado em História, e agora concluindo Bacharel em Teologia, faculdades não tão bem vistas pelo mercado e pelas pessoas, como as que eu citei anteriormente, mas porque preciso lembrar-lhe o princípio de uma profissão: Amor ao serviço.

Em primeiro lugar precisa haver amor pela profissão, gostar do que irá fazer. Testes vocacionais ajudam nisso, atividades extras, e até uma visita a universidade facilita. Depois, é preciso analisar cuidadosamente a remuneração que você terá, para que depois você não seja enganado quanto ao salário. E por fim, responder pra si, se aquilo que você escolher, fará de você um profissional, que devolverá a sociedade, com excelência e louvor, tudo aquilo que Deus lhe concedeu. Sim, porque por mais que você seja excelente e competente, não pode esquecer que é tudo dádiva, vem do Pai.

Se você consegue unir: Amor pela profissão com ótima remuneração, perfeito. Mas não esqueça de avaliar o seu serviço diante do outro, em favor de Deus. Não seja levado apenas pelo dinheiro. Conheço muitas pessoas que ganham muito, mas são frustradas porque não fazem o que gostam.

Independente da profissão que for escolhida, ela deverá ser encarada como responsabilidade social e espiritual, pois o desempenhar da sua função mostrará sua busca pelo reino de Deus e pela justiça deste Reino, e Deus acrescentará grandes coisas a você.

Lembre-se: Você é um sinal histórico do reino de Deus, e independente do que você esteja fazendo, Deus precisa ser visto. Seja num esterilizar de um bisturi, uma aula lecionada, uma defesa advocatícia, um projeto químico, um prato de comida, uma extração dentária. Deus precisa ser exaltado!

 

Que o amor de Cristo te envolva!

segunda-feira, setembro 03, 2012

Santa Ceia - Momento de encontro...com o pecado!

    Um dos momentos de maior significado na experiência cristã é o sacramento da eucaristia, mas conhecido entre nós como ceia, ou como santa ceia, se preferir. É ali que lembramos do sacrifício de Jesus por nós e agradecemos por esse sacríficio, comendo do pão e bebendo do cálice.
Mas...por acaso você já deixou de tomar a ceia porque entendeu que estava em pecado? Já viu pessoas chorando na hora da ceia e não pegando os elementos? Ou até mesmo já orientou que alguém não participasse da ceia pelo pecado cometido? Pois é, já fiz tudo isso. Mas quero romper esses clichês, e quebrar mais um paradigma.
Toda nossa percepção e entendimento está centrada no versículo: Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. (1 Coríntios 11:28)
E a maneira como nós o entedemos é: “Verifique se você está em condições de comer e beber, ou seja, se você está em pecado. Porque se tiver, você irá comer e beber para sua própria condenação.” Mas essa interpretação parece visar que o auto exame nos leva ao encontro das nossas virtudes, que nos qualificariam para a participação na sagrada mesa do Senhor. Portanto, buscamos dignidade para participar da mesa. E se encontramos uma mancha, um pecado(que nós julgamos fatal), fazemos a opção pela não participação na ceia.
Mas pensemos juntos: Não é possível que façamos um auto-exame e nos encontremos dignos de participar da Ceia do Senhor. Pois não é possível se aproximar de Deus e nos encontrarmos com nossas virtudes. O momento da ceia é o momento oportuno de nos encontrarmos com nosso pecado. Esse auto-exame nos conduzirá a nossa humanidade mais profunda, e a nossa miserabilidade mais autêntica.
Perdoe-me a franqueza, mas quem se examina diante de Deus e encontra virtude, tem um péssimo discernimento de Deus, tem um exagerado discernimento de si mesmo, e um equivocado pensamento do que seja pecado. Aliás, o que te separa da ceia? O fato de você ter feito sexo “ilícito” na noite anterior? Sim...porque esse é o pecado campeão em afastar pessoas da ceia. Embora seja desconsiderado o culto ao corpo, a obsessão por emagrecimento, a mentira, o desleixo com a saúde, o amor a riqueza, o descaso com o próximo. Sabe, nosso conceito sobre pecado é muito superficial. A igreja nos apresentou hierarquia de pecados e pautamos nossa santidade a partir da não-prática daqueles de alto escalão.
Esse texto é um convite da Palavra diante da ceia, que confrontados com a necessidade da morte de Jesus Cristo na Cruz do Calvário possamos trazer a mente que horrores praticamos contra Deus. E que exigiu dEle a morte de Jesus. Esse texto nos leva ao encontro da vergonha e da maldade que nos habita.
Quando nos colocamos diante de Deus e imediatamente diante do nosso pecado, O Espírito Santo nos lembra que o pão e o cálice implica nossa participação no corpo e no sangue de Jesus. Portanto, a consciência do pecado deve nos empurrar a Cruz do Calvário, e somente ali, aos pés da Cruz que somos libertos da condenação.
Nós não somos livres de ser condenados quando olhamos para nós e encontramos virtudes. Somos livres quando encontramos o nosso pecado, caímos aos pés da Cruz, discernindo o Corpo e o Sangue.
Nossa felicidade não está na nossa virtude, mas no perdão que a Cruz nos concede.
Diga-me: Porque comeríamos do corpo e do sangue de Jesus se encontrássemos virtudes em nós?
Portanto, é examine-se e coma. Não é examine-se para ver se tem condição de comer. Já sabemos que não temos condições, nem merecíamos, mas essa escandalosa graça nos alcançou e nos diz: Examine-se! Tome consciência! Veja quem você é! Agora ajoelhe diante da Cruz de Jesus, e reconheça o quanto você precisa desse sacrifício. Assim somos livres da condenação.
Não por nossa causa, esqueceu que é graça?
Da próxima vez que estiver em uma ceia, não se afaste. Se apresente ao seu pecado, e se ajoelhe aos pés da Cruz, porque Jesus te levantará livre, limpo, alvo mais que a neve.

quinta-feira, agosto 30, 2012

Quem sou eu?

Procurei alguns textos para o momento...tentei escrever, mas me apeguei a este, ele define muito bem! Grande teólogo...

Wer Bin Ich? Quem Sou Eu?
Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que saí da confinação da minha cela
De modo calmo, alegre, firme,
Como um cavalheiro da sua mansão.

Quem sou eu? Freqüentemente me dizem
Que falava com meus guardas
De modo livre, amistoso e claro
Como se fossem meus para comandar.
Quem sou eu? Dizem-me também
Que suportei os dias de infortúnio
De modo calmo, sorridente e alegre
Como quem está acostumado a vencer.

Sou, então, realmente tudo aquilo que os outros me dizem?
Ou sou apenas aquilo que sei acerca de mim mesmo?
Inquieto e saudoso e doente, como ave na gaiola,
Lutando pelo fôlego, como se houvesse mãos apertando minha garganta,
Ansiando por cores, por flores, pelas vozes das aves,
Sedento por palavras de bondade, de boa vizinhança
Conturbado na expectativa de grandes eventos,
Tremendo, impotente, por amigos a uma distância infinita,
Cansado e vazio ao orar, ao pensar, ao agir,
Desmaiando, e pronto para dizer adeus a tudo isto?

Quem sou eu? Este, ou o outro?
Sou uma pessoa hoje, e outra amanhã?
Sou as duas ao mesmo tempo? Um hipócrita diante dos outros,
E diante de mim, um fraco, desprezivelmente angustiado?
Ou há alguma coisa ainda em mim como exército derrotado,
Fugindo em debanda da vitória já alcançada?

Quem sou eu? Estas minhas perguntas zombam de mim na solidão.
Seja quem for eu, Tu sabes, ó Deus, que sou Teu!

Dietrich Bonhoeffer

quarta-feira, agosto 15, 2012

Acho que não confio em Deus...


Acho que não confio em Deus...

Esse texto é uma confissão. Dura, contundente e inquietante. Estou numa crise de fé! Não tenho medo que você ache que fracassei, ou estou afundando...É fato que, ou essa crise me leva ao deísmo, ou a um amadurecimento desordenado e imensurável com o Aba. Antes que me pergunte, ainda creio em Deus, fique tranquilo. É que quanto mais me aprofundo em conhecer a Deus, mais crises eu tenho.
Mas ultimamente minha crise não se relaciona a Deus, ou põe em dúvidas atributos ou ações divinas, mas tem a ver comigo. Com 10 anos de fé cristã descobri uma coisa que me envergonhou profundamente, mas o primeiro passo pra corrigir erros é confessando-os a si.
Acho que nunca confiei em Deus de verdade. Pesado né? Eu sei, mas resolvi confessar.
Confiar em Deus implica tantas coisas a nós mortais desesperados,  e não temos tempo para esperar, aprender ou abandonar.  Brennan Manning vai dizer que: “Muitas vezes partimos da premissa de que o ato de confiar irá desfazer a confusão, iluminar a escuridão, acabar com a incerteza e remir o tempo.” Pensamos assim, agimos assim, montamos nossa vida e nossa fé nisso, mas nada disso é verdade.
Sou extremamente ansioso, organizado, tenho tudo planejado e definido pra minha vida pra pelo menos uns 30 anos, além do perfeccionismo xiita. Portanto tudo precisa sair como quero, e do jeito que penso e planejo; surpresas são perigosas e nem sempre tão bem-vindas, acréscimos só com minha autorização. Você percebe? Não tem espaço pra Deus...
“O amanhã pertence a Deus”, isso já está ultrapassado. O amanhã pertence a mim. Não estou disposto a esperar, corro atrás. Confio em mim, e naquilo que eu posso fazer .  Invejo Abraão em confiar que Deus não mataria seu filho, admiro Daniel em confiar que Deus não o mataria na dentada de um leão.
Quando questiono meu futuro, a possibilidade da realização dos meus sonhos, ou um amanhã um pouco melhor, estou diretamente dizendo: NÃO CONFIO EM DEUS! Minha humanidade luta contra essa confiança, meu zelo, cuidado, e melhores intenções insistem em sabota-la. Confio mesmo é na força do meu braço, naquilo que eu posso fazer. O hoje eu controlo, e me desdobro em realiza-lo da maneira que planejei. O amanhã que é o problema, não tenho como controlá-lo, e aí vem essa coisa de confiança em Deus. As vezes até acho que tenho, que confio, coisa e tal, mas logo me pego murmurando, medroso e reclamando de como tudo está ou como tudo parece que vai terminar. Tenho meus apoios, minhas suficiências...
Tô em busca de uma confiança cega, que nunca experimentei, e que sei que exige um grau de coragem que beira o heroísmo. Confiar num Deus invisível, mas que mora dentro de mim. Confiar numa graça louca que vai contra tudo que sou, que penso e que sinto, mas que me ensina a ser humano.Me parece que esse tipo de confiança é adquirida apenas aos poucos e quase sempre através de uma série de crises e provações.
Ter convicção de que Deus é digno de crédito só é possível quando decido conhecê-lo além do normal, me aprofundando na intimidade desse amor. Aliás, acho que confio pouco, ou quase nada, porque o conheço pouco, ou quase nada.
O primeiro passo eu já dei: confessei. O segundo passo também: eu quero. Pois, afinal, qual seria a utilidade da vida de oração, de estudo da Bíblia, da Teologia, ou da espiritualidade, se não confio naquilo que aprendo, ou em quem ensina? A culpa é minha, por não por em prática tudo aquilo que aprendi com Davi, Abrãao, José, Jó e é claro, com Jesus.
Confio na provisão? No chamado? Na soberania? Confio mesmo que a alegria chegará pela manhã? Confio mesmo que Deus pode curar, restaurar ou ressuscitar? Como responder a essas perguntas se faço planos, lamento a falta, murmuro na noite escura, reclamo pela dor de cabeça, desisto fácil antes de pensar em restauração, ou faço logo o enterro antes de clamar por ressurreição.
Brennan Manning diz que: “A realidade da confiança nua e crua no Aba, é a vida de um peregrino que abandona aquilo que tem raízes, que é óbvio e seguro,e  caminha para o desconhecido sem nenhuma explicação racional que justifique a decisão ou dê alguma garantia para o futuro. Por quê? Porque Deus ordenou aquele movimento e oferece sua presença e sua promessa.”
Que Deus perdoe minha fraqueza, franqueza e humanidade. E por estar tanto tempo achando que confiava nEle.
Espero poder um dia dizer como Jó: “Embora Ele me mate, ainda assim esperarei nEle.” ( Jó 13:15 NVI)

terça-feira, julho 31, 2012

Dízimo?

Dízimo?

Já participei de inúmeras conversas sobre igreja onde o assunto sempre recaía em dinheiro, e é claro em dízimo. Confesso que já cansei de ouvir tanta besteira, infantilidade, analfabetismo bíblico acerca deste assunto. Quero aqui dar minha opinião, e sei que talvez possa decepcionar a muitos que me admiram, mas fico com a Bíblia, e com meu Deus, a Ele devo a obediência, e a Ele devolvi minha liberdade, para ser seu servo.
Diferente do que muitos ensinam, Jesus não deixou o dízimo como uma ordenança. Até porque isso não faz parte do cristianismo. Jesus não era cristão, ele era judeu, e aquele texto que muitos gostam de citar de Mateus 23:23, se enquadra aos fariseus, ao povo judeu, da lei, do Antigo Testamento. E esse texto deve ser observado num todo, uma exegese apurada.Gosto muito do texto de Lucas 8:1-3, onde Jesus era sustentado com ofertas de mulheres.
O dízimo é obrigatório? NÃO! Jesus nos obrigou a algo? O Evangelho é de aceitação, não de força, violência ou coerção.
A parte financeira relacionada ao Novo Testamento está baseada em 2 Coríntios 8 e 9 – Espontaneidade, amor, alegria. A tão esquecida lei da proporcionalidade, onde quem pode mais, dá mais, quem pode menos, dá menos, e quem não pode, não dá, recebe.
Tem que dar o dízimo de 10%? Tem que ser na Igreja local?  Se não der, no outro mês tem que atualizar o atrasado? Se não der o gafanhoto entra na minha casa e nas minhas rendas?
NÃO, NÃO, NÃO e NÃO.
Não tem que ser 10%, porque Deus não quer 10%, Ele quer um coração generoso. E não quer você fazendo continhas de reais e centavos para combinar com o valor que você recebe, ou brigando com alguém, se deve dar do valor bruto, ou do líquido. Quando chega nisso já passou de espontaneidade, generosidade...já virou burocracia, e mensalidade do clube.E a má notícia que esses pastores deveriam aprender é que quando temos o coração generoso damos muito mais que 10%.
Não tem que ser, necessariamente, na instituição que você congrega, porque o reino de Deus é muito maior que as quatro paredes da instituição. Pode ser sustentar alguém no campo missionário, sustentar uma família que enfrenta um desemprego, pagar o hospital da mãe, comprar o remédio do filho. Desde de que se tenha um coração generoso e se saiba repartir.
Não precisa atualizar o atrasado porque isso não é boleto de cartão de crédito.
E essa história ridícula de gafanhoto... Eu preciso confessar, tenho nojo disso! Chega desse negócio de que tem que dizimar senão o gafanhoto destrói a renda, ou quem não dá o dízimo na igreja gasta na farmácia, isso é diabólico, e desumano.
E não venha me chamar de ladrão usando Malaquias 3:10, o texto preferido dos pregadores já está fora de moda, e aconselho a você a procurar um advogado e processar o “pastor” que lhe chamar de ladrão.
Ah... E esse papo de que quem dá a Deus pode ficar tranquilo que Ele não deve nada a ninguém, é patético. Quer dizer que Ele fica amarrado a ter de fazer algo porque o sujeito resolveu dizimar?
Já cansei de ouvir sobre “pegar a maior nota da carteira”, “Ele é fiel com quem dizima”, “afaste o migrador da sua casa”, “dizime do pouco, porque Deus vai te dar um emprego melhor”. Fazer o povo dar, ou “pagar” como gostam de dizer os lobos, é demoníaco. E essa historinha de que Deus vai dar, e ser fiel se você dar a ele, iguala ele ao Exú, Tranca Rua, e aos Cablocos. Basta uma oferenda, que a bênção é recebida, mas nem pense em não contribuir quando ele pedir, isso lhe será fatal. NÃOOOOOOOOO, não usem mais Deuteronômio 28, ou se for usar, usem também as maldições da desobediência.rs Isso fará o povo ir embora, né? Que pena!
E o que dizer dessa coisa patética chamada SEMENTE? Confesso que quando vou visitar algumas igrejas sempre pego os envelopes para ver o versículo que eles botaram e se tem essa palavrinha tão odiosa. Se você planta pouco, colhe pouco, então tem que dar muito dinheiro e colherá muito dinheiro, não é isso pastores contemporâneos? E o que eu digo para o desempregado? Ou para aquela irmãzinha que ganha um salário mínimo e descobre que seu remédio aumentou e até no dinheiro que ela deposita na igreja ela terá que mexer? E aqueles que não servem a instituição nenhuma, ou não professam o cristianismo? Eles tem muito porque? Ah, já sei... vocês vão dizer que eles servem ao diabo, e o diabo que dá a riqueza deles. Que tolice!
Essa é uma questão de GRAÇA. E nós não somos capazes nem de tentar explica´-la, porque jamais conseguiríamos. A prosperidade financeira chega pra alguns, pra outros não. Algum problema nisso? Na sociedade capitalista que vivemos, claro que há. Como ser um servo de Deus sem ser ricamnte abençoado (lê-se aqui, com muito dinheiro)?
Mas é que o povo fala tanto do A.T., dos bônus e glórias de grande heróis da fé ( e me privei até de falar sobre o dízimo que Abrãao deu a Melquisedeque, porque esse texto pra mim não se encaixa, definitivamente), mas esquecem dos ônus, perdas, derrotas e disciplinas divinas.
Querem ser como Abraão, mas não iriam querer entregar o filho.
Querem ser como Daniel, mas renunciariam a fé antes de ir a cova dos leões.
Querem ser como José, mas teriam se deitado com a mulher de Potifar antes mesmo de ir a prisão.
Querem ser como Paulo, e ter o privilégio de crer, mas não querem o privilégio de padecer por Cristo.
Sei que minhas palavras sabotam a INSTITUIÇÃO, porque se este discurso for proferido na Igreja, no outro mês a receita da Igreja cai vertiginosamente. Mas entre mudar o discurso e obedecer a Deus, sem titubear, fico com a segunda.
Desafio-lhes a algo muito pertinente. Leia a Bíblia, e os versículos pinçados sobre esse assunto( mas por favor, sem a ajuda de ninguém, apenas do Espírito Santo), e depois vá questionar seus pastores, líderes ou gurus. Nem eles acreditam nisso, mas precisam disso para se sustentar.
Sei de como é necessário dinheiro na igreja,e não estou combatendo isso, as ofertas voluntárias são importantíssimas para o sustento da Igreja, e de todas as necessidades. Mas não as vaidades humanas.
Sou a favor da oferta voluntária, que muitas vezes excede 10%. Talvez você tenha medo de parar de dizimar, e aprender a dar com generosidade e liberalidade porque você começará a dar mais de 10%...
Cuidado com o Gafanhoto...rs.
Vinho Novo em Odres Novos.

segunda-feira, julho 30, 2012

Até quando?

Até quando?

  Tudo estava se reorganizando, bem devagar, aprontando-se para um novo momento. Percebi que estava aos poucos conseguindo me libertar, depois de anos, a luz no fim do túnel já podia ser avistada. As feridas cicatrizando, os momentos se eternizando e o que restou virando cinzas.
  Não havia mais esperanças, já estava conformado, refiz a vida, juntei a bagunça, decidi-me por recomeçar, infelizmente sem ela!
  O tempo passou, o cenário foi mudando, e de repente, como seu eu estivesse olhando por um telescópio, ela que estava longe do meu alcance, ficou tão perto, tão visível, tão palpável. E eu que havia jurado nunca mais querer ela tão perto, abri a guarda mais uma vez, cedi aos seus loiros encantos e me reaproximei.     Mas dessa vez mais forte, mais consciente, mais decidido de que nada aconteceria, de que definitivamente ela não era pra mim, de que habitávamos mundos diferentes, que não se encontrariam novamente.
  Mas que tolice a minha, eu era o forte mais fracassado que já vi; Caí, cedi, me entreguei, resolvi pular de asa delta novamente, sem medo, sem receios, sem proteção.
  Mas porque ela voltou? Agora que tudo estava se ajeitando. Não estava melhor onde ela estava? Não encontrou alguém que a amasse? Por que veio de novo atormentar meu mundo, que destruído, estava se recompondo, mas que agora resolveu plantar uma nova chance de amar.
 Tá bom, eu sei, é como ver o mesmo filme querendo um final diferente. Mas não consigo viver intensamente o momento sem pensar no amanhã. É como se sentir usado e abusado! Mas e daí? Se não consigo ser feliz se não for com ela.
  Insano, fraco, eu sei que tudo caminha para o fracasso. Ela se foi de novo, perdeu-se na neblina do tempo. Ela não mudou, e não mudará. Hoje tudo vale, amanhã nem ela sabe quem será, ou melhor, sabe que não saberá o que quer. E eu? Sei bem o que quero, quem quero e o quanto quero.
  Até quando? Até quando indecisa e inconstante ela estará? Até quando eu terei certeza de que a quero?
  “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure...”

Escrito em
27/02/2012.

quinta-feira, julho 26, 2012

O que realmente faz a diferença?

O que realmente faz a diferença?

Hoje tive um momento bem especial nas minhas reflexões com meu Pai. Sabe quando o filho vai passar as férias na casa do Pai? Pois é, resolvi lembrar que o Pai decidiu morar em mim, e aí fechei as portas para visitas, e dar única e exclusiva atenção a Ele. Sentar no chão da sala e conversar, sem hora pra acabar.

Nesse papo fiz uma pergunta que muito me incomodava: "O que, de fato, eu precisava para fazer a diferença no Reino dEle?" - Depois de um tempo Ele resolveu falar, em um daqueles jeitos bem peculiares dele. É...comigo Papai tem seus jeitos, suas pessoas, suas tecnologias.rs

Me disse que preciso ter consciência da minha vocação. Preciso saber de fato quem eu sou, o que me caracteriza. Coisas que eu faço com excelência e coisas que eu não sou bom mesmo.
Foi muito bom ouvir que devo ter mentores espirituais, mas que eu não preciso repetir as experiências ministeriais dos meus heróis.

Aí bateu uma angústia sabe... Será que estou vestindo a armadura de Saul? Quando na verdade o que Deus quer é que eu assuma minha identidade, seja como eu sou e mate meus gigantes com uma pedra...

A segunda coisa me deixou de joelhos e muito reflexivo... tratou da minha integridade, de vida santa.
É...só há uma variável do meu futuro está em minhas mãos, sob meu poder: a minha credibilidade, o meu caráter.

Jesus poderia ter entrado em Jerusalém ao som de: "Jesus, filho de Saul.", né? Saul não cuidou do seu futuro.

É, o pecado nunca deve ser algo normal na minha vida. Um grande homem chamado Brennan Manning já dizia, que o maior pecado é perder o senso do que é pecado. 
Nunca quero que chegue o dia  em que o pecado não me doa mais, não traga conflito, angústia. Quero sempre me olhar no espelho e sentir vergonha daquilo que sou como pessoa, isso exalta Aquele que veio para me ensinar a viver, a ser gente. Não quero trocar minha integridade pelo meu prazer.

Aí olhei pro Papai e disse que queria ser um herói na fé. Ao passo que ele me respondeu: Heróis são populares, os santos são anônimos. O que você deseja, meu filho?
Só consegui responder uma coisa: Ser parecido com você Papai...


terça-feira, julho 24, 2012

Desejo


Desejo

Resolvi fazer um retiro, sozinho, fugir pra dentro, de mim mesmo. Encarar os medos, os defeitos, as virtudes(essas são as que mais me afastam de Cristo), encarar o meu ego, e minha eterna desconfiança do futuro.
Nesse lugar onde decide ficar, estou sendo ministrado, cuidado e moldado. E o que desejo pra mim, desejo pra você.
Desejo que...
...seu amor a Deus esteja acima de todas as coisas.
...seu amor ao próximo cresça a cada dia.
...o Evangelho de Jesus seja seu maior tesouro.
...a teologia da prosperidade passe longe de seu coração.
...o “evangelho da auto-ajuda” seja por ti denunciado.
...acredites que a salvação é pelos méritos do Senhor Jesus.
...seus medos possam ser jogados por terra pelo singelo amor do Eterno.
...suas ansiedades sejam lançadas sobre o Mestre.
...sua confiança seja depositada Naquele que pode todas as coisas.
...não se aproveite da ingenuidade alheia.
...não abandone seus sonhos por causa de uma tribulação.
...não descontes em Deus aquilo que pode ter dado errado.
...suas amizades sejam fortalecidas.
...suas barreiras sejam transpostas.
...suas limitações não o impeçam de trabalhar.
...não olhes para trás.
...sigas sempre caminhando, ainda que chorando.
...não negocies coisas eternas.
...não tentes transformar o Altíssimo num garçom inexperiente.
...sua vida possa ser um padrão para os fiéis.
...sua humildade seja cultivada cada vez mais.
...descanses no caráter d’Aquele que vos chamou.
...sua língua seja uma pena que ao Rei é servido usar.
...me ajudes em meus receios.
...me auxilies nas minhas fragilidades.
...me segures se eu estiver caindo.
...compartilhe comigo minhas vitórias.
...chores comigo minhas derrotas.
...entendas minhas inquietações.
...creias tão somente que somos ramos da mesma Videira.
...que a Graça te inunde, te transborde e te lave.

O que desejo pra você é o quero pra mim. E que Papai nos conceda, por misericórdia.

Silêncio


Silêncio

Estou acostumado a agitação das manhãs, a gritaria dos alunos, as buzinas dos automóveis, as cobranças dos outros, e das incansáveis vozes da consciência que sempre me fazem agir, reagir, lutar, nunca parar.

Falo sempre, sou exagerado mesmo, falo até demais, além da conta. Tenho sempre uma opinião, algo a acrescentar, a ponderar, a retrucar. Nunca passo desapercebido. Se vou a um lugar, gosto de marcar presença, de direcionar a conversa, mudar o assunto, sempre dominando muito bem as palavras.

"Você é o Wander, né?" - Já diziam alguns.  As vezes me acho parecido com o apóstolo Pedro, sempre com palavras prontas para todo tipo de atitude, seja de quem fosse, seja de que forma fosse, pro bem ou pro mal, não importa...

Controle? Eu tenho. Planejamento? Eu sempre faço. Minha vida? Está toda organizada e muito bem planejada... Se quiser te conto cada detalhe agora mesmo. Sou prudente, sensato, cauteloso. Uma vez me disseram que sou daqueles que chego em um parque de diversões, e antes de andar nos brinquedos, vou ler as devidas instruções dele. Sempre leio o manual de instruções, de jogos, de brinquedos. Aliás, alguém pode me dar o de pessoas? E da vida?

Mas... E quando tudo isso não resolve? E quando você percebe que muita fala, muita agitação, muito controle, planejamento e prudência não resolvem os fantasmas interiores, que o barulho não está do lado de fora, mas do lado dentro? Que quando se deita a cabeça no travesseiro, existe um barulho contundente que não te deixa durmir, sonhar ou acreditar?

Aí é momento de parar! Parar com tudo, parar de ouvir conselhos, histórias, vídeos, testemunhos, pessoas. E olhar pra si, e se apresentar a Deus. 

Você daria a chave de um carro a alguém agitado e descontrolado? Nem Papai.

Ele aconselha a fazer silêncio. Silêncio de tudo. Aí as palavras somem, as opiniões cessam, os conceitos e preconceitos são engolidos, os planejamentos e controles viram pó. Ao ouvir a doce voz: "Sem mim nada podeis fazer." O silêncio é o único som que se ouve.

O silêncio faz cessar as palavras, mas não as lágrimas.

domingo, julho 15, 2012

Ponto Final.

PONTO FINAL

Como iniciamos mesmo uma história? Ah é... "Era uma vez". Ou "No início", ou "Quando tudo começou". Tão simples não é? Tão fácil... Pra começar achamos diversas palavras, tomamos diversas atitudes, ou as vezes nem precisamos, acontece tão naturalmente...

Mas sei lá, acho que a dificuldade mesmo em finalizar, sabe? Ainda mais quando são coisas que tem históricos marcantes, onde planejou-se, construi-se, sonhou-se... A pergunta que se faz é: "Mas por que tem que chegar o final?", e em seguida fazemos a afirmação: "Deve haver outro jeito!". E o caminho passa a ser uma eterna busca pela solução, e vírgulas são postas a todo tempo, como uma peleativo.

Ficamos remoendo o passado, o que se perdeu, o que se aprendeu, onde cresceu. Erros, acertos, pessoas, momentos. E aí você percebe que não é mais o mesmo, não sente mais igual, não luta mais igual. Como já dizia Pessoa: "Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver." É, acho que é isso sabe, perder o sentido das coisas! Perde-se o sentido do caminho, do local, das pessoas...

Mas como finalizar? Confesso, tenho muita dificuldade com isso. Com essa coisa de se desprender. Sou muito ligado ao passado, as lembranças, as memórias... Mas consigo perceber o fim quando faz mal pra mim, quando dói em mim...

Fernando Pessoa sabia bem sobre isso: "Antes de começar um capítulo novo é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa... Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio,pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba.Mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. [...]Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é."

Chega de ser quem eu era... Mas, pra começar uma nova história, o que é preciso fazer mesmo?

Ah é...(E como um insigth me lembrei como finaliza as coisas) É preciso por ponto final. Eis o meu aqui.

Não, não cansei ou abandonei o sonho. Apenas quero começar tudo de novo. Cansei das vírgulas, dos pontos parágrafos, dos ponto e vígula, das reticências. Eis aí o ponto final.

quarta-feira, julho 11, 2012

Mulheres independentes querem casar... :/


MULHERES INDEPENDENTES QUEREM CASAR

  Quem nunca ouviu de uma mulher a seguinte fala: "Vou terminar minha faculdade, montar minha vida, depois penso em ter alguém. Namorar, casar agora, atrapalharia minha vida."

  Pois é, como um jogo, onde você monta sua cidade e escolhe os moradores. Ah! E essa pessoa que chegar precisa se enquadrar nos padrões estabelecidos, nos estereótipos fielmente planejados. Como já dizia Cazuza: "...tem que encontrar alguém que caiba nos seus sonhos." Não... não é alguém para construir junto, pensar junto. As mulheres querem homens que entrem no mundo já planejado por elas. Acabou a Era das mulheres donas de casa, auxiliadoras idôneas, super-mães. Por quê? Porque as mulheres também tem seus direitos - diriam elas. Elas queimaram os sutiãs, lembra? Não são coadjuvantes, são protagonistas também. Elas querem independência!

  Na maioria das vezes o caminho para a independência é o sucesso profissional. E, por favor, não atrapalhem elas nesse caminho, você será descartado como um copo de plástico em uma festa de rua. Mantenha-se ao lado, e se puder, as vezes suma. Lembre-se: você não irá construir junto. Ou aceita chegar e encontrar pronto, ou pula fora!

  "MEU, EU, TENHO, POSSO" - Já ouviu mulher falando isso? Parece que hoje existe uma rixa entre os dois sexos. Já presenciei cenas onde o marido é ridicularizado pela esposa, simplesmente porque ela faz questão de dizer a todos que ganha mais e que paga mais contas. Não sabia que no casamento existia o 'MEU', pensei que o pronome aqui era 'NOSSO', mas eu que devo estar errado.rs

  E nos namoros? É nesse período que identificamos bem a MULHER I. Com falas individualistas, despreocupadas. O mais importante é o que ela faz, o que ela pensa, o que ela sonha. Nossos sonhos? Serão bem-vindos, desde que não atrapalhem os dela.

  Se abrir, se dedicar, depender, conversar... essas coisas não fazem parte do universo delas. Isso as torna dependentes, vulneráveis, flexíveis. Elas querem chegar no topo, elas precisam se sentir seguras, firmes...nelas mesmo! Aí sim, começa-se a procurar alguém, afinal, elas estão bem.

  Mas porque só depois de tudo isso? Porque precisam ser independentes primeiro, donas do próprio nariz...ah! E da própria casa também, do próprio carro também. E é claro, se não der certo, elas descartam. Afinal, elas não precisaram deles para construir nada, sabem se virar sozinhas, não é mesmo? São super bem sucedidas, mulheres sensacionais, alcançaram, lutaram e hoje são orgulhosas do que tem. Elas não precisaram de ninguém ao longo do caminho, aliás, só atrapalharia né? Dividir tempo, sonhar junto, planejar junto... que utopia, que coisa mais sem graça..rsrsrs

  Fico aqui pensando nos casais de antigamente. Não se preocupavam muito com isso. Eles se uniam, não preocupados em estar no auge das suas vidas para agregar o outro. Eles cresciam juntos, pensavam juntos, passavam necessidades juntos, enfrentavam desempregos, desacertos, e caminhavam, lutavam, sempre juntos. Deve ser por isso que os casamentos mais antigos duram tanto. Hoje, já se casa falando da possibilidade da separação, inclusive na igreja.

  Casamento e independência não combinam. Ou se entrega ao outro ainda no namoro, disposta a crescer, compartilhar, dividir, depender. Ou melhor não casar, porque você será mais um nos quadros do IBGE para casais divorciados.

  Deus ensinou o "uma só carne". Vocês esqueceram?

  Mulheres independentes querem casar... enquanto isso muitos homens preferem continuar solteiros.



terça-feira, julho 03, 2012

CONFORTO


CONFORTO

Esses dias tenho estado meio estranho. Como diz os adolescentes "meio gueri". Muita coisa junto acontecendo me leva a um estado de reflexão, instrospecção e total avaliação.

Nesses momentos só temos a companhia do nosso travesseiro, ou daquela música que sempre colocamos quando queremos chorar. Somos estranhos, né? Somos humanos.

Crescemos e pecerbemos que a vida não é um desenho animado, onde uma bigorna cai na nossa cabeça e depois tudo volta ao normal. Não. Os finais nem sempre são felizes, os acidentes são fatais, as traições são verdadeiras, os abandonos são imprevisíveis, e o choro... o choro pode durar uma noite, só que essa noite pode durar dias, meses, e até anos.

O eclesiastes sabia bem disso, e já tinha avisado:"Percebi ainda outra coisa debaixo do sol: Os velozes nem sempre vencem a corrida; os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o tempo e o acaso afetam a todos."

Confesso que hoje sou muito menos frustrado, porque não busco mais a felicidade como um objetivo, mas resolvi adotá-la como prática de vida. Ser feliz no caminho, com o Caminho. Essa história de que: "só vou ser feliz quando..." não cabe mais no meu vocabulário. Tenho aprendido a descobrir a felicidade num sorriso de um bebê, numa reunião de amigos, num simples telefonema, no elogio de um aluno, ou simplesmente em olhar para trás e perceber o quanto cresci, como gente, como ser humano.

Mas a vida insiste em nos surpreender com seus infortúnios, dilemas, crises, desacertos e incontáveis desconstruções. A vontade que dá? As vezes de gritar, de correr, de sumir, de viajar sem volta, de pular de asa delta.(rs) Mas volto para o meu mundo, para o meu quarto, para o meu travesseiro, e ouço a voz doce de Sarayu (quem leu "A CABANA" entende.rs) e Ele me diz algo bem clichê, mas que tem um grande impacto no momento: "Você tem amigos!" E aí me lembrei de cada um deles, um a um, cada situação vivida com eles passou na minha mente, e percebi o cuidado de Deus.

Papai sempre quis me fazer forte, por isso nunca me poupou da vida, e dos infortúnios dela. Nunca me tirou de um furacão, mas tem me ensinado a ficar de pé quando ele ataca. Que os mensageiros de Jó podem até chegar, mas eu tenho amigos, que me confortam diariamente, que são boca de Deus, colo de Deus, abraço de Deus, verdadeiros anjos. Eles são o conforto em dias de fraqueza, dor e desespero...eles me confortam, me fazem forte, me fazem grande.

Afirmo, sem medo, que meus amigos não me deixam desistir de mim, da vida, de Deus.

 E eu? Apenas como uma criança que encontra abrigo, me ajeito nesse colo, ponho minha cabeça bem no peito, e fico alí ouvindo as batidas daquela coração, que transmite paz, serenidade, amor, e muito...muito conforto!

domingo, junho 24, 2012

SER GENTE...


SER GENTE

Algumas pessoas me pediram pra eu escrever sobre o título do blog. É verdade, tô devendo mesmo, devendo uma resposta pra pergunta que me fizeram: Como gente deve ser, afinal?

Nós, seres humanos, nos bestializamos, e as vezes só somos humanos nominalmente mesmo, porque percebemos o quão bestiais somos. Nossas atitudes nos inferiorizam e nos colocam num patamar abaixo dos bichos, nossos pensamentos nos demonizam. Mas o que fazer com tudo isso? Esconder, é claro! A sociedade não aceita pessoas assim, você não aceita pessoas assim, mas você é assim!

Paremos de tratar pessoas como coisas, chega de sermos pragmáticos e utilitaristas. Quando vamos reconhecer que o dinheiro traz satisfação e prazer, mas não é responsável pela felicidade, porque esta não é um lugar onde se chega, mas a maneira como se vai.

Jesus Cristo veio até nós, não apenas para fazer uma caravana pro céu, mas para nos ensinar a viver aqui nesta terra, que Ele nos deu. Jesus veio nos ensinar a vida, e o que é a vida senão a escola do amor? É impossível passar pela vida sem ser marcado por ela, e sem carregar o pó desta caminhada.

Não, Jesus Cristo não veio para te levar a uma transcendência de imunidade, ou de vitórias infinitas. Esse papo de espiritualidade desgarrada da vida não serve pra mim. Não me identifico com o Jesus-Deus, me identifico muito mais com o Jesus-homem. Não estou preocupado com o Jesus que faz multiplica pães e peixes, cura, ressuscita.(Já sei que vão me criticar aki.rs) Me chama mais atenção o Jesus do Getsemani, que derrama sangue, quando não há mais água, de tanta dor e sofrimento, o Jesus que reclama de abandono na cruz, que perdoa os que o crucificam, e que morre pelos que o rejeitaram. Minha vida está e sempre estará pautada na busca de ser como esse Jesus, que não mata, morre.

Deus nunca quis que fôssemos parecidos com Ele(entenda quem for capaz), e nem que fôssemos deuses como ele. Ele nos fez humanos, e na nossa dificuldade de ser humano,"Ele esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz", para que aprendêssemos a ser gente, como gente deve ser!

sexta-feira, junho 22, 2012

Deixei de crer nesse deus que vocês pregam...


Deixei de crer nesse Deus que vocês pregam...

Um Deus com uma onipotência arbitrária, e uma transcendência inalcançável! Um Deus que pode, mas não faz. Um Deus que tem filhos queridinhos e disciplinados. Que multiplica a renda do cara que dizima, e manda uma nuvem de gafanhotos para destruir a renda do que não dizima. Um Deus bom e piedoso que cria um hospital para os doentes, mas primeiro cria os doentes...
Confesso... deixei de acreditar em Deus! Deixei de crer nesse Deus vendido por uma unção de 900 reais, por uma toalinha ungida, ou por uma rosa do descarrego. Esse Deus que desiste dos seus filhos porque eles pecaram, não serve mais pra mim.
Não é fácil deixar de crer num Deus ensinado pra mim durante anos!
Não dá mais pra aceitar que o pobre é pecador, e o doente é o amaldiçoado. Dízimo não é obrigação ou condição de bênção. E quem disse que é 10%? E quem disse que tem que dar na igreja? E quem disse que tem que pagar o atrasado? Deus?...Não é o Deus que eu acredito!
Tenho conhecido um outro Deus, e me convertido a uma outra divindade, mais perto, ou melhor que buscou habitação dentro de mim, Ele é palpável, alcançável, e se põe perto, junto! Não amaldiçoa, ama. Não despreza, acolhe. Não mata, morre!
As vezes tenho até vontade de me batizar novamente...

Saudade


Saudade...
A lembrança sempre fica a serviço dela, parece que ela é capaz de ativá-la, sempre e ilimitadamente.
Boa ou ruim? Dura pergunta, mas de acessível resposta; ela só será boa caso possa ser resolvida, morta, e suprida a falta com a restituição do perdido. Ruim, quando este homicídio torna-se impossível.
Pensei que fosse impossível um dia defender homicídio, mas dizem que defendemos o que é conveniente a nós, e não me resta dúvida, preciso cometer esse homicídio.
Definitivamente, não gosto dela, porque quando chega, traz consigo dores e muito choro, além de dias maus.
Por quê? É a pergunta de quem a conhece; até quando? Continua o mortal ferido; Pra quê? Questiona o cansado em tentar vencê-la!
Quem pode contra ela? Quem consegue dominá-la? Na verdade, “saudade boa é saudade morta”. Não há do que discordar, feliz aquele que a consegue matar.
Mas e os fracos e medrosos? Como viver aqueles que não são capazes de enfrentá-la como um inimigo feroz? São obrigados a conviver com ela, e sendo acompanhado diariamente, sendo deixado por alguns momentos durante o dia, mas logo invadidos de sua presença com a chegada da noite, e o descansar do corpo.
Nos resta admirar os valentes assassinos, que usam suas poderosas armas para matar tamanho inimigo, eles conseguem restituir o perdido inteira ou parcialmente, mas o que importa é que conseguem; saciar-se com a vitória e comemorar os novos momentos.
Um homicídio satisfatório, isso sim! Matar e gozar dos prazeres pós-morte. Até quando não sei, mas o importante é desfrutar com intensidade desse crime! E assim caminham os homicidas: sorridentes e satisfeitos com o sabor da vitória e o gozo da recompensa.
“Ela se foi.” – Dirá ele – “E a dor da sua presença não mais sentirei.”
Mas que tolice pensar assim...Ao caminhar ciente da vitória, uma brisa bate no seu rosto, um cheiro familiar é sentido; de repente uma fotografia é trazida pelo vento forte, algo estranho acontece no interior do homicida, e só resta a ele reconhecer: “Ela está de volta, a imortal saudade.
Mas quando volta, sabe que o guerreiro não a teme, ele a enfrenta com a mesma intensidade da sua chegada. O guerreiro responde com fé, descansando no fato de que "Deus massageia seus ombros para a briga", e no fundo aquela certeza: Tudo será diferente agora!



















quinta-feira, junho 21, 2012

"Tô cagando..."

Tô Cagando...

Eu sei que pode parecer estranho um título como esse. Ou você pode estar dizendo que não esperava eu escrever isso, ou que deveria ter usado palavras sinônimas do tipo: "não tô ligando". Mas não, acho que essa expressão cabe bem para o momento.

Eu cansei da responsabilidade de ser o certo. Não precisam mais me ver assim. Não sou santo, nem puro, nem isso tudo que vocês acham que sou. Sou pecador! Parem de pensar que sou exemplo, que sou referência, deixe isso para os pastores, porque só sou líder, e só sirvo de exemplo quando é conveniente, para eles.
Não precisam mais me chamar pra pregar porque acham que sou inteligente ou estudioso da bíblia. Não precisam mais me pedir conselhos porque acham que posso ajudar, me deixem pra lá. me deixem errar, me deixem ficar, me deixem quebrar a cara, me deixem agir. E não me considerem um promíscuo ou libertino, pois ainda tenho temor a Deus e juízo. Aliás, quer saber de uma coisa: querem me achar libertino? Façam o que quiser...

Hoje, quero me libertar disso, de tanta babaquice, tanta caretice, que nada tem a ver com credo, religião ou Deus, mas fardos colocados por pessoas, situações ou por nós mesmo! Mas chega! Não faço nada ilícito, não quero nada ilegal! Quero viver! E viver, inevitavelmente, me leva a quedas, erros, mas e daí?
Que eu perca cargos, olhos de admiração, futuros eclesiásticos, dane-se! Se for assim, que eu perca, tô abrindo mão de tudo isso pra ser feliz, no caminho, com O Caminho!
Apenas uma coisa me preocupa: aqueles a quem eu tenho, e aqueles a quem me tem. Do fundo do meu coração, não quero ser pedra de tropeço, ou escândalo para eles, e nem quero que deixem de estar aos pés da Cruz por minha causa. Mas estes me conhecem bem, e não irão desabonar meu caráter, conduta ou vida, pois sabem quem eu sou, e isso pra mim é o que importa.
Quanto aos outros...fariseus, hipócritas, sepulcros caiados... tô cagando pra vocês!