Um dos
momentos de maior significado na experiência cristã é o sacramento da
eucaristia, mas conhecido entre nós como ceia, ou como santa ceia, se preferir.
É ali que lembramos do sacrifício de Jesus por nós e agradecemos por esse
sacríficio, comendo do pão e bebendo do cálice.
Mas...por
acaso você já deixou de tomar a ceia porque entendeu que estava em pecado? Já
viu pessoas chorando na hora da ceia e não pegando os elementos? Ou até mesmo
já orientou que alguém não participasse da ceia pelo pecado cometido? Pois é,
já fiz tudo isso. Mas quero romper esses clichês, e quebrar mais um paradigma.
Toda nossa
percepção e entendimento está centrada no versículo: Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba
deste cálice. (1 Coríntios 11:28)
E a maneira
como nós o entedemos é: “Verifique se você está em condições de comer e beber,
ou seja, se você está em pecado. Porque se tiver, você irá comer e beber para
sua própria condenação.” Mas essa interpretação parece visar que o auto exame
nos leva ao encontro das nossas virtudes, que nos qualificariam para a
participação na sagrada mesa do Senhor. Portanto, buscamos dignidade para
participar da mesa. E se encontramos uma mancha, um pecado(que nós julgamos
fatal), fazemos a opção pela não participação na ceia.
Mas
pensemos juntos: Não é possível que façamos um auto-exame e nos encontremos
dignos de participar da Ceia do Senhor. Pois não é possível se aproximar de
Deus e nos encontrarmos com nossas virtudes. O momento da ceia é o momento
oportuno de nos encontrarmos com nosso pecado. Esse auto-exame nos conduzirá a
nossa humanidade mais profunda, e a nossa miserabilidade mais autêntica.
Perdoe-me a
franqueza, mas quem se examina diante de Deus e encontra virtude, tem um
péssimo discernimento de Deus, tem um exagerado discernimento de si mesmo, e um
equivocado pensamento do que seja pecado. Aliás, o que te separa da ceia? O
fato de você ter feito sexo “ilícito” na noite anterior? Sim...porque esse é o
pecado campeão em afastar pessoas da ceia. Embora seja desconsiderado o culto
ao corpo, a obsessão por emagrecimento, a mentira, o desleixo com a saúde, o
amor a riqueza, o descaso com o próximo. Sabe, nosso conceito sobre pecado é
muito superficial. A igreja nos apresentou hierarquia de pecados e pautamos
nossa santidade a partir da não-prática daqueles de alto escalão.
Esse texto
é um convite da Palavra diante da ceia, que confrontados com a necessidade da
morte de Jesus Cristo na Cruz do Calvário possamos trazer a mente que horrores
praticamos contra Deus. E que exigiu dEle a morte de Jesus. Esse texto nos leva
ao encontro da vergonha e da maldade que nos habita.
Quando nos
colocamos diante de Deus e imediatamente diante do nosso pecado, O Espírito
Santo nos lembra que o pão e o cálice implica nossa participação no corpo e no
sangue de Jesus. Portanto, a consciência do pecado deve nos empurrar a Cruz do
Calvário, e somente ali, aos pés da Cruz que somos libertos da condenação.
Nós não
somos livres de ser condenados quando olhamos para nós e encontramos virtudes.
Somos livres quando encontramos o nosso pecado, caímos aos pés da Cruz,
discernindo o Corpo e o Sangue.
Nossa
felicidade não está na nossa virtude, mas no perdão que a Cruz nos concede.
Diga-me:
Porque comeríamos do corpo e do sangue de Jesus se encontrássemos virtudes em
nós?
Portanto, é
examine-se e coma. Não é examine-se para ver se tem condição de comer. Já
sabemos que não temos condições, nem merecíamos, mas essa escandalosa graça nos
alcançou e nos diz: Examine-se! Tome consciência! Veja quem você é! Agora
ajoelhe diante da Cruz de Jesus, e reconheça o quanto você precisa desse
sacrifício. Assim somos livres da condenação.
Não por
nossa causa, esqueceu que é graça?
Da próxima
vez que estiver em uma ceia, não se afaste. Se apresente ao seu pecado, e se
ajoelhe aos pés da Cruz, porque Jesus te levantará livre, limpo, alvo mais que
a neve.
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