segunda-feira, setembro 24, 2012

O HOMEM POR TRÁS DO MITO




   É impressionante como a história tem praticidade em fabricar ídolos e mitos. Ao estudar ao longo desses 8 anos de academia me deparei com livros e mais livros que engrandeciam homens e mulheres, como se eles fossem deuses. O que falar de Tiradentes, Zumbi e Princesa Isabel? Pois bem, na história da Igreja não é diferente. Cometemos o triste erro de reproduzir mitos e construir heróis para as próximas gerações, omitindo, ou até mesmo apagando sua humanidade.

  A Bíblia, livro-referência para nós cristãos, deveria ser usada como modelo para biografias e histórias de homens, denominações e legados. Pois quando retrata tais coisas, exalta e engrandece, mas não deixa de expôr as falhas e os erros humanos. O que falar de Abraão? O pai da fé, mas que não poupou esforços em mentir sobre sua esposa, e apressar a promessa de Deus, com Ismael. E Moisés? O grande legislador e profeta, mas também conhecido no Egito como assassino palaciano. E o grande Rei Davi? Vencedor de gigantes, grande salmista, o homem segundo o coração de Deus, mas também adúltero e homicida. Poderia falar de Jacó, Jonas, Gideão, Sansão e até Paulo que falava como “fora de mim”, e que não poupava esforços na hora de brigar, seja pela tradição, como foi com Pedro, ou por orgulho, como foi com Barnabé.
 
Quando olho pra história da Igreja e me deparo com a vida dos reformadores, tenho um certo frisson, pois os livros teimam em omitir a vida desses grandes homens. É indispensável falar aqui da suprema importância de Lutero e Calvino para a Igreja Protestante, são eles os pais desse movimento. Mas não posso falar de Lutero sem falar do seu envolvimento com a nobreza alemã, e sua liderança no genocídio camponês. E Calvino? O reformador da predestinação tão conivente a burguesia e aos seus interesses econômicos, e que não obstante foi responsável pela execução de dezenas de pessoas que se opunham as suas rígidas doutrinas.

  Não quero com isso dizer que temos que exaltar erros, mas eles precisam ser contados. A importância e o legado de homens e mulheres não são apagados por isso. Apenas quero pontuar a humanidade deles também.

  Hoje acabei de ler o livro: “NEOPENTECOSTALISMO – A história não contada” do Bispo Walter McAlister, que é uma breve biografia em defesa do pai, que é acusado de ser precurssor desse movimento, e me deparei com um livro heroico, tendencioso e um tanto omisso. Onde o fundador da Igreja Nova Vida é tido como um mito. Não se fala dos seus erros, não se aponta seu autoritarismo e frieza, mas se fala dos seus atos heroicos.
  
  Não consigo ler biografias heroicas, ou livros em que o autor prefere omitir seu pecado e erros, com medo de futuras gerações tomarem conhecimento(ouvi isso de um pastor essas dias). Temos que aprender com a Bíblia e pôr a cara na janela, nos igualarmos, mostrarmos pras pessoas que não somos super-heróis, e que o pecado servirá para exaltar a graça que superabundará em nossas vidas.

  Me lembro aqui de 3 homens que vieram a público reconhecer o erro, mesmo que isso lhe custasse o prestígio por toda a vida. O primeiro é o grande evangelista Jimmy Swaggart, que veio a público, em lágrimas pedir perdão. Em segundo, o grande líder que admiro, o Rev. Caio Fábio, que após um erro, veio, também, a público pedir perdão, explicar-se e romper com seu passado. Por fim, o irmão Davi Silva que após anos de mentira, confessou seu pecado, arrependeu-se e veio a público pedir perdão por um erro que marcou pessoas do mundo inteiro. Portanto, se a pessoa é referência, líder, clero, e comete erros, porque esconder ou omitir? Ele deve sim explicações aos seus. E não medo ou receio de falar dos erros, a não ser que estes ainda estejam sendo praticados.
  
  É impossível afirmar um ministério sem erros. A questão é que nós hierarquizamos erros e pecados, e aplicamos as disciplinas, mas em todos os ministérios existem erros, simplesmente porque existem pessoas. A diferença é expor os erros, sem a coleira organizacional ou doutrinária e exaltar a Deus que ergue o pecador e o torna mais alvo que a neve.
  
  Sim, é importante mostrar o homem por trás do mito, porque assim veremos Deus, que a despeito dos erros e limitações humanas usa poderosamente homicidas, mentirosos, medrosos e adúlteros, levando-os a se renderam a poderosa Mão do Soberano. O nome disso é Graça. Mas fica uma dica: Se não reconhece erros, falhas e limitações, como enxergar a Graça de Deus? Onde enxergar a Graça na auto-suficiência humana? Portanto não basta apenas cair do cavalo, é preciso ficar cego por longos dias e depois perceber o quanto importa padecer por Cristo.
  
  Existe um homem por trás de todo mito, e um Deus Soberano que faz o homem se tornar grande. 

  Pelos Santos de Deus e pelo Cordeiro.

sábado, setembro 15, 2012

A 3ª pergunta mais importante que você tem que responder na vida

“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça,
e todas as outras coisas lhes serão acrescentadas” - Mateus 6:33

Todo ser humano, num determinado momento da vida, terá que responder a 3 perguntas-chaves, que irão definir como será a continuidade, o sucesso e os frutos da caminhada.

1ª: Que Deus você irá servir?;

2ª: Qual mulher (homem) você irá casar?

3ª: Qual será a sua profissão? A sua carreira profissional, a maneira como você vai devolver pra sociedade, aquilo que Deus lhe der, em termos de inteligência, conhecimento, competência, capacitação, preparo, experiência de vida.

Sei o quão é difícil responder essa pergunta, principalmente porque ela chega de forma bem precoce. Um misto de emoções e sentimentos perpassam o nosso coração. E junto com esta, outras perguntas são feitas: Devo escolher o que eu gosto? O que o mercado mais precisa? O que paga melhor? O que meu pai quer? E diante disso, ficamos aflitos e angustiados. Porque sabemos que esta resposta definirá o profissional que seremos amanhã.

Mas em meio a tantas dúvidas e questionamentos, o que deve definir, e nortear minha resposta? Alguns poderiam lhe dizer: “Procure o que paga melhor! Olhe para o mercado!”, ou então diria: “Medicina, Direito, Engenharia, tem que pensar em dinheiro” – DINHEIRO, DINHEIRO, sempre ele! Mas sou cristão, e meu Deus me leva a responder diferente, não porque sou formado em História, e agora concluindo Bacharel em Teologia, faculdades não tão bem vistas pelo mercado e pelas pessoas, como as que eu citei anteriormente, mas porque preciso lembrar-lhe o princípio de uma profissão: Amor ao serviço.

Em primeiro lugar precisa haver amor pela profissão, gostar do que irá fazer. Testes vocacionais ajudam nisso, atividades extras, e até uma visita a universidade facilita. Depois, é preciso analisar cuidadosamente a remuneração que você terá, para que depois você não seja enganado quanto ao salário. E por fim, responder pra si, se aquilo que você escolher, fará de você um profissional, que devolverá a sociedade, com excelência e louvor, tudo aquilo que Deus lhe concedeu. Sim, porque por mais que você seja excelente e competente, não pode esquecer que é tudo dádiva, vem do Pai.

Se você consegue unir: Amor pela profissão com ótima remuneração, perfeito. Mas não esqueça de avaliar o seu serviço diante do outro, em favor de Deus. Não seja levado apenas pelo dinheiro. Conheço muitas pessoas que ganham muito, mas são frustradas porque não fazem o que gostam.

Independente da profissão que for escolhida, ela deverá ser encarada como responsabilidade social e espiritual, pois o desempenhar da sua função mostrará sua busca pelo reino de Deus e pela justiça deste Reino, e Deus acrescentará grandes coisas a você.

Lembre-se: Você é um sinal histórico do reino de Deus, e independente do que você esteja fazendo, Deus precisa ser visto. Seja num esterilizar de um bisturi, uma aula lecionada, uma defesa advocatícia, um projeto químico, um prato de comida, uma extração dentária. Deus precisa ser exaltado!

 

Que o amor de Cristo te envolva!

segunda-feira, setembro 03, 2012

Santa Ceia - Momento de encontro...com o pecado!

    Um dos momentos de maior significado na experiência cristã é o sacramento da eucaristia, mas conhecido entre nós como ceia, ou como santa ceia, se preferir. É ali que lembramos do sacrifício de Jesus por nós e agradecemos por esse sacríficio, comendo do pão e bebendo do cálice.
Mas...por acaso você já deixou de tomar a ceia porque entendeu que estava em pecado? Já viu pessoas chorando na hora da ceia e não pegando os elementos? Ou até mesmo já orientou que alguém não participasse da ceia pelo pecado cometido? Pois é, já fiz tudo isso. Mas quero romper esses clichês, e quebrar mais um paradigma.
Toda nossa percepção e entendimento está centrada no versículo: Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. (1 Coríntios 11:28)
E a maneira como nós o entedemos é: “Verifique se você está em condições de comer e beber, ou seja, se você está em pecado. Porque se tiver, você irá comer e beber para sua própria condenação.” Mas essa interpretação parece visar que o auto exame nos leva ao encontro das nossas virtudes, que nos qualificariam para a participação na sagrada mesa do Senhor. Portanto, buscamos dignidade para participar da mesa. E se encontramos uma mancha, um pecado(que nós julgamos fatal), fazemos a opção pela não participação na ceia.
Mas pensemos juntos: Não é possível que façamos um auto-exame e nos encontremos dignos de participar da Ceia do Senhor. Pois não é possível se aproximar de Deus e nos encontrarmos com nossas virtudes. O momento da ceia é o momento oportuno de nos encontrarmos com nosso pecado. Esse auto-exame nos conduzirá a nossa humanidade mais profunda, e a nossa miserabilidade mais autêntica.
Perdoe-me a franqueza, mas quem se examina diante de Deus e encontra virtude, tem um péssimo discernimento de Deus, tem um exagerado discernimento de si mesmo, e um equivocado pensamento do que seja pecado. Aliás, o que te separa da ceia? O fato de você ter feito sexo “ilícito” na noite anterior? Sim...porque esse é o pecado campeão em afastar pessoas da ceia. Embora seja desconsiderado o culto ao corpo, a obsessão por emagrecimento, a mentira, o desleixo com a saúde, o amor a riqueza, o descaso com o próximo. Sabe, nosso conceito sobre pecado é muito superficial. A igreja nos apresentou hierarquia de pecados e pautamos nossa santidade a partir da não-prática daqueles de alto escalão.
Esse texto é um convite da Palavra diante da ceia, que confrontados com a necessidade da morte de Jesus Cristo na Cruz do Calvário possamos trazer a mente que horrores praticamos contra Deus. E que exigiu dEle a morte de Jesus. Esse texto nos leva ao encontro da vergonha e da maldade que nos habita.
Quando nos colocamos diante de Deus e imediatamente diante do nosso pecado, O Espírito Santo nos lembra que o pão e o cálice implica nossa participação no corpo e no sangue de Jesus. Portanto, a consciência do pecado deve nos empurrar a Cruz do Calvário, e somente ali, aos pés da Cruz que somos libertos da condenação.
Nós não somos livres de ser condenados quando olhamos para nós e encontramos virtudes. Somos livres quando encontramos o nosso pecado, caímos aos pés da Cruz, discernindo o Corpo e o Sangue.
Nossa felicidade não está na nossa virtude, mas no perdão que a Cruz nos concede.
Diga-me: Porque comeríamos do corpo e do sangue de Jesus se encontrássemos virtudes em nós?
Portanto, é examine-se e coma. Não é examine-se para ver se tem condição de comer. Já sabemos que não temos condições, nem merecíamos, mas essa escandalosa graça nos alcançou e nos diz: Examine-se! Tome consciência! Veja quem você é! Agora ajoelhe diante da Cruz de Jesus, e reconheça o quanto você precisa desse sacrifício. Assim somos livres da condenação.
Não por nossa causa, esqueceu que é graça?
Da próxima vez que estiver em uma ceia, não se afaste. Se apresente ao seu pecado, e se ajoelhe aos pés da Cruz, porque Jesus te levantará livre, limpo, alvo mais que a neve.