Silêncio
Estou acostumado a agitação das manhãs, a gritaria dos alunos, as buzinas dos automóveis, as cobranças dos outros, e das incansáveis vozes da consciência que sempre me fazem agir, reagir, lutar, nunca parar.
Falo sempre, sou exagerado mesmo, falo até demais, além da conta. Tenho sempre uma opinião, algo a acrescentar, a ponderar, a retrucar. Nunca passo desapercebido. Se vou a um lugar, gosto de marcar presença, de direcionar a conversa, mudar o assunto, sempre dominando muito bem as palavras.
"Você é o Wander, né?" - Já diziam alguns. As vezes me acho parecido com o apóstolo Pedro, sempre com palavras prontas para todo tipo de atitude, seja de quem fosse, seja de que forma fosse, pro bem ou pro mal, não importa...
Controle? Eu tenho. Planejamento? Eu sempre faço. Minha vida? Está toda organizada e muito bem planejada... Se quiser te conto cada detalhe agora mesmo. Sou prudente, sensato, cauteloso. Uma vez me disseram que sou daqueles que chego em um parque de diversões, e antes de andar nos brinquedos, vou ler as devidas instruções dele. Sempre leio o manual de instruções, de jogos, de brinquedos. Aliás, alguém pode me dar o de pessoas? E da vida?
Mas... E quando tudo isso não resolve? E quando você percebe que muita fala, muita agitação, muito controle, planejamento e prudência não resolvem os fantasmas interiores, que o barulho não está do lado de fora, mas do lado dentro? Que quando se deita a cabeça no travesseiro, existe um barulho contundente que não te deixa durmir, sonhar ou acreditar?
Aí é momento de parar! Parar com tudo, parar de ouvir conselhos, histórias, vídeos, testemunhos, pessoas. E olhar pra si, e se apresentar a Deus.
Você daria a chave de um carro a alguém agitado e descontrolado? Nem Papai.
Ele aconselha a fazer silêncio. Silêncio de tudo. Aí as palavras somem, as opiniões cessam, os conceitos e preconceitos são engolidos, os planejamentos e controles viram pó. Ao ouvir a doce voz: "Sem mim nada podeis fazer." O silêncio é o único som que se ouve.
O silêncio faz cessar as palavras, mas não as lágrimas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário