quarta-feira, agosto 15, 2012

Acho que não confio em Deus...


Acho que não confio em Deus...

Esse texto é uma confissão. Dura, contundente e inquietante. Estou numa crise de fé! Não tenho medo que você ache que fracassei, ou estou afundando...É fato que, ou essa crise me leva ao deísmo, ou a um amadurecimento desordenado e imensurável com o Aba. Antes que me pergunte, ainda creio em Deus, fique tranquilo. É que quanto mais me aprofundo em conhecer a Deus, mais crises eu tenho.
Mas ultimamente minha crise não se relaciona a Deus, ou põe em dúvidas atributos ou ações divinas, mas tem a ver comigo. Com 10 anos de fé cristã descobri uma coisa que me envergonhou profundamente, mas o primeiro passo pra corrigir erros é confessando-os a si.
Acho que nunca confiei em Deus de verdade. Pesado né? Eu sei, mas resolvi confessar.
Confiar em Deus implica tantas coisas a nós mortais desesperados,  e não temos tempo para esperar, aprender ou abandonar.  Brennan Manning vai dizer que: “Muitas vezes partimos da premissa de que o ato de confiar irá desfazer a confusão, iluminar a escuridão, acabar com a incerteza e remir o tempo.” Pensamos assim, agimos assim, montamos nossa vida e nossa fé nisso, mas nada disso é verdade.
Sou extremamente ansioso, organizado, tenho tudo planejado e definido pra minha vida pra pelo menos uns 30 anos, além do perfeccionismo xiita. Portanto tudo precisa sair como quero, e do jeito que penso e planejo; surpresas são perigosas e nem sempre tão bem-vindas, acréscimos só com minha autorização. Você percebe? Não tem espaço pra Deus...
“O amanhã pertence a Deus”, isso já está ultrapassado. O amanhã pertence a mim. Não estou disposto a esperar, corro atrás. Confio em mim, e naquilo que eu posso fazer .  Invejo Abraão em confiar que Deus não mataria seu filho, admiro Daniel em confiar que Deus não o mataria na dentada de um leão.
Quando questiono meu futuro, a possibilidade da realização dos meus sonhos, ou um amanhã um pouco melhor, estou diretamente dizendo: NÃO CONFIO EM DEUS! Minha humanidade luta contra essa confiança, meu zelo, cuidado, e melhores intenções insistem em sabota-la. Confio mesmo é na força do meu braço, naquilo que eu posso fazer. O hoje eu controlo, e me desdobro em realiza-lo da maneira que planejei. O amanhã que é o problema, não tenho como controlá-lo, e aí vem essa coisa de confiança em Deus. As vezes até acho que tenho, que confio, coisa e tal, mas logo me pego murmurando, medroso e reclamando de como tudo está ou como tudo parece que vai terminar. Tenho meus apoios, minhas suficiências...
Tô em busca de uma confiança cega, que nunca experimentei, e que sei que exige um grau de coragem que beira o heroísmo. Confiar num Deus invisível, mas que mora dentro de mim. Confiar numa graça louca que vai contra tudo que sou, que penso e que sinto, mas que me ensina a ser humano.Me parece que esse tipo de confiança é adquirida apenas aos poucos e quase sempre através de uma série de crises e provações.
Ter convicção de que Deus é digno de crédito só é possível quando decido conhecê-lo além do normal, me aprofundando na intimidade desse amor. Aliás, acho que confio pouco, ou quase nada, porque o conheço pouco, ou quase nada.
O primeiro passo eu já dei: confessei. O segundo passo também: eu quero. Pois, afinal, qual seria a utilidade da vida de oração, de estudo da Bíblia, da Teologia, ou da espiritualidade, se não confio naquilo que aprendo, ou em quem ensina? A culpa é minha, por não por em prática tudo aquilo que aprendi com Davi, Abrãao, José, Jó e é claro, com Jesus.
Confio na provisão? No chamado? Na soberania? Confio mesmo que a alegria chegará pela manhã? Confio mesmo que Deus pode curar, restaurar ou ressuscitar? Como responder a essas perguntas se faço planos, lamento a falta, murmuro na noite escura, reclamo pela dor de cabeça, desisto fácil antes de pensar em restauração, ou faço logo o enterro antes de clamar por ressurreição.
Brennan Manning diz que: “A realidade da confiança nua e crua no Aba, é a vida de um peregrino que abandona aquilo que tem raízes, que é óbvio e seguro,e  caminha para o desconhecido sem nenhuma explicação racional que justifique a decisão ou dê alguma garantia para o futuro. Por quê? Porque Deus ordenou aquele movimento e oferece sua presença e sua promessa.”
Que Deus perdoe minha fraqueza, franqueza e humanidade. E por estar tanto tempo achando que confiava nEle.
Espero poder um dia dizer como Jó: “Embora Ele me mate, ainda assim esperarei nEle.” ( Jó 13:15 NVI)

3 comentários:

  1. Muito bom mesmo! Como Isaías o fez uma vez taí! Esse de fato é o caminho! Se não notou eu passei a acompanhar ainda mais seu trabalho meu velho amigo! Continue assim!

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