Acho que não confio em Deus...
Esse
texto é uma confissão. Dura, contundente e inquietante. Estou numa crise de fé!
Não tenho medo que você ache que fracassei, ou estou afundando...É fato que, ou
essa crise me leva ao deísmo, ou a um amadurecimento desordenado e imensurável
com o Aba. Antes que me pergunte, ainda creio em Deus, fique tranquilo. É que
quanto mais me aprofundo em conhecer a Deus, mais crises eu tenho.
Mas
ultimamente minha crise não se relaciona a Deus, ou põe em dúvidas atributos ou
ações divinas, mas tem a ver comigo. Com 10 anos de fé cristã descobri uma
coisa que me envergonhou profundamente, mas o primeiro passo pra corrigir erros
é confessando-os a si.
Acho que nunca confiei em Deus de verdade. Pesado né? Eu sei, mas resolvi confessar.
Confiar
em Deus implica tantas coisas a nós mortais desesperados, e não temos tempo para esperar, aprender ou
abandonar. Brennan Manning vai dizer
que: “Muitas vezes partimos da premissa de que o ato de confiar irá desfazer a
confusão, iluminar a escuridão, acabar com a incerteza e remir o tempo.”
Pensamos assim, agimos assim, montamos nossa vida e nossa fé nisso, mas nada
disso é verdade.
Sou
extremamente ansioso, organizado, tenho tudo planejado e definido pra minha vida
pra pelo menos uns 30 anos, além do perfeccionismo xiita. Portanto tudo precisa
sair como quero, e do jeito que penso e planejo; surpresas são perigosas e nem
sempre tão bem-vindas, acréscimos só com minha autorização. Você percebe? Não
tem espaço pra Deus...
“O
amanhã pertence a Deus”, isso já está ultrapassado. O amanhã pertence a mim.
Não estou disposto a esperar, corro atrás. Confio em mim, e naquilo que eu
posso fazer . Invejo Abraão em confiar
que Deus não mataria seu filho, admiro Daniel em confiar que Deus não o mataria
na dentada de um leão.
Quando
questiono meu futuro, a possibilidade da realização dos meus sonhos, ou um
amanhã um pouco melhor, estou diretamente dizendo: NÃO CONFIO EM DEUS! Minha
humanidade luta contra essa confiança, meu zelo, cuidado, e melhores intenções
insistem em sabota-la. Confio mesmo é na força do meu braço, naquilo que eu
posso fazer. O hoje eu controlo, e me desdobro em realiza-lo da maneira que
planejei. O amanhã que é o problema, não tenho como controlá-lo, e aí vem essa
coisa de confiança em Deus. As vezes até acho que tenho, que confio, coisa e
tal, mas logo me pego murmurando, medroso e reclamando de como tudo está ou
como tudo parece que vai terminar. Tenho meus apoios, minhas suficiências...
Tô
em busca de uma confiança cega, que nunca experimentei, e que sei que exige um
grau de coragem que beira o heroísmo. Confiar num Deus invisível, mas que mora
dentro de mim. Confiar numa graça louca que vai contra tudo que sou, que penso
e que sinto, mas que me ensina a ser humano.Me parece que esse tipo de
confiança é adquirida apenas aos poucos e quase sempre através de uma série de
crises e provações.
Ter
convicção de que Deus é digno de crédito só é possível quando decido conhecê-lo
além do normal, me aprofundando na intimidade desse amor. Aliás, acho que confio pouco, ou quase nada, porque o conheço pouco, ou quase nada.
O
primeiro passo eu já dei: confessei. O segundo passo também: eu quero. Pois, afinal,
qual seria a utilidade da vida de oração, de estudo da Bíblia, da Teologia, ou
da espiritualidade, se não confio naquilo que aprendo, ou em quem ensina? A
culpa é minha, por não por em prática tudo aquilo que aprendi com Davi, Abrãao,
José, Jó e é claro, com Jesus.
Confio
na provisão? No chamado? Na soberania? Confio mesmo que a alegria chegará pela
manhã? Confio mesmo que Deus pode curar, restaurar ou ressuscitar? Como
responder a essas perguntas se faço planos, lamento a falta, murmuro na noite
escura, reclamo pela dor de cabeça, desisto fácil antes de pensar em
restauração, ou faço logo o enterro antes de clamar por ressurreição.
Brennan
Manning diz que: “A realidade da confiança nua e crua no Aba, é a vida de um
peregrino que abandona aquilo que tem raízes, que é óbvio e seguro,e caminha para o desconhecido sem nenhuma
explicação racional que justifique a decisão ou dê alguma garantia para o
futuro. Por quê? Porque Deus ordenou aquele movimento e oferece sua presença e
sua promessa.”
Que
Deus perdoe minha fraqueza, franqueza e humanidade. E por estar tanto tempo
achando que confiava nEle.
Espero
poder um dia dizer como Jó: “Embora Ele me mate, ainda assim esperarei nEle.” (
Jó 13:15 NVI)
Amei!
ResponderExcluirMeu mentor, sábio Brennan Manning!
ResponderExcluirMuito bom mesmo! Como Isaías o fez uma vez taí! Esse de fato é o caminho! Se não notou eu passei a acompanhar ainda mais seu trabalho meu velho amigo! Continue assim!
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